Quando o elefante é uma lagartixa

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Longe de casa. Um barulho estranho. Um barulho muito estranho. Um barulho muito estranho várias vezes ao longo da noite. Tem um bicho no meu quarto. Tem um medo que me esconde.

Aonde?

Medo do barulho que parece um pássaro gigante piando dentro da cabeça e que no escuro você vê um elefante gigante. O elefante era do tamanho do medo. O medo era do tamanho do elefante. “Sai debaixo desse lençol! Acende a luz!”… mas o medo em forma de pensamento amedronta até o elefante barrir, ops, piar… Mas é pássaro ou elefante??? É elefante que pia ou pássaro que barre ou um ser quase falante. É medo.

O dia amanhece e elefante no quarto não tem, mas chega a noite e o barulho vem. E ninguém entende o barulho da noite que foi, ninguém entende o barulho da noite que vem. “Sai debaixo desse lençol!!!”. E cadê a coragem? Entre melancia amarela e banana madura de casca verde, num belo almoço um elefantepassarofalante pia ou barre. Ouviram??? Sim! Ufaaa!!! E o garçom balinês docemente nos diz que lá em Bali lagartixa sim, barre, pia, fala! Dá uma “googada”! Sim, é a lagartixa quem fala.

Medo. Medo e coragem. Medo do que é real. Medo do que a imaginação longe caminha. Medo que não tem nome. Medo que assombra e que vira sombra. Muita coragem. Olha pro medo, escuta o medo, sente o medo. Às vezes o tão temido elefante é só, assim, uma lagartixa.

Mas é incrível como muitas vezes a gente se sente sem poder. Sem poder correr. Sem poder voar. O que é um super herói sem capa? Por trás da capa aparece a força que vem, a coragem que o super herói tem. E mesmo que o tombo seja bem feio vestir a capa e voar é tão mais interessante do que empacar sem sair do lugar.

Pega o lençol e faz a capa. Respira fundo, estufa o peito, acende a luz, abre o olho. E voa.

Texto escrito durante primeira viagem à Bali e Green School – abril 2015

 

 

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