No meio do caminho…

A casa de dentro The house from within
01/01/2018
Cuidando da alma
01/01/2018

Para conseguir chegar aqui houve muito planejamento. Tudo começou com a leitura do livro “Volta ao mundo em treze escolas” em outubro de 2014, meu primeiro contato com a Green School.

Eu cheguei fisicamente em Bali em 04 de janeiro de 2016, saindo do Brasil dia 02, com mais de 11 horas de fuso e com avião pousando ao som de Tom Jobim me dizendo que “é impossível ser feliz sozinho”, um presente contra o medo da solidão. E nesses dias de chegar, 47 dias, me percebi procurando o que eu tinha feito, o que eu estava fazendo, procurando pedaços de mim que estavam por aí.

Planejar. Planejar e viver a vida planejando e esperando o final do plano chegar. Esperando ter mais dinheiro, esperando o trabalho mudar, esperando o ideal, esperando algo de fora nos completar. Esperando do outro e não buscando em si. Haviam dois lados: “você vai pra Bali? Que loucura incrível!!! Me leva na mala?” ou “você vai para Bali? Que loucura!!! Vai largar tudo? Vai fazer o que lá? Você não precisa disso!”.  Um paradoxo. Uma mistura de sentimentos e uma decisão de ir. Eu sabia que eu não estava largando tudo. Eu sabia que eu estava buscando mais.

Depois de 47 dias morando em uma casa de Bambu, cheguei emocionalmente em Bali. Na prática me dei conta do óbvio: a vida ensina e muitas vezes o emocional não acompanha. Algumas coisas levam um tempo para gente entender. Em um simples dia de chegar ao final do plano, de chegar em uma cerimônia em uma casa local, me dei conta na prática da importância do processo, do caminho, do passeio. Contemplar o que acontece em cada paisagem, em cada vista de verde infinito balinês, do céu azul refletido no campo de arroz sendo preparado para o plantio, do domínio da direção da scotter, do encontro do equilíbrio, de uma mistura de força e leveza, de deixar a vida levar durante duas horas de caminho contemplando o que estava acontecendo ali. Eu senti Bali, um momento de sinestesia do que eu estava aprendendo ser Bali durante esses 47 dias, sentindo no rosto, a chuva e o verde juntos no cheiro, e um caminho sem saída (de moto), mas com outro começo, o caminho dos pés afundados e enlamaçados no campo. E depois de três horas a cerimônia havia acabado. O caminho errado por vezes ser o certo. Encontrar um bonito “ops” nos caminhos dessa vida.

Cheguei em Bali.

Green School, Bali, Indonésia – Março 2016

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