Cuidando da alma

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Pela segunda vez, por razão dessas dessas coincidências da vida, pego o mesmo táxi que peguei dois meses atrás. O taxista, sem perceber o que mencionei acima e fumando como da primeira vez, me pergunta:
– A sra se importa se eu terminar de fumar?
– Olha, eu não gosto de cigarro…
Sem que eu terminasse a frase ele, como da primeira vez, diz que quem manda é o cliente e apaga o cigarro. Mas dessa vez começa a contar sobre a própria vida difícil para justificar que fuma mais de dois maços de cigarro por dia. Eu, que quase não gosto de escutar da vida dos outros e ajudar, ouvi durante mais de dez minutos sem interromper. Então falei:
– Com licença, o senhor conhece a estória do vendedor de chinelos?
– Não – ele respondeu, quase me dizendo para deixá-lo continuar a falar da própria vida e para eu ficar quieta.
– O dono de uma fábrica de chinelos convidou dois homens para vender chinelos na África. Deu a ele uma caixa com a mesma quantidade de chinelos. Passaram alguns dias e o dono da fábrica ligou para os dois vendedores. O primeiro disse a ele: “Nossa, é impossível vender chinelos aqui, não vendi nenhum, aqui todo mundo anda descalço!”. O segundo vendedor disse: “Nossa, aqui é o melhor lugar para vender chinelos porque aqui ninguém usa chinelos, preciso de mais!”.
O taxista ficou em silêncio e eu também. Passaram alguns minutos e chegamos no meu destino. Eu pago a corrida. Ele me agradece. Peço desculpas se eu lhe causei algum constrangimento ou se falei algo que não deveria. Ele me diz:
– Você é médica – eu entendo a frase como uma pergunta e respondo:
– Não, sou psicóloga.
– Não, você é médica. Você salva vidas… Mas você cuida da alma.

 

 

 

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